62 anos do golpe de 1964: mais de 600 membros da UFPE foram perseguidos pela ditadura militar e ao menos seis estudantes foram mortos

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Localizado na Praça Padre Henrique, no Centro do Recife, Monumento Tortura Nunca Mais homenageia mortos e desaparecidos políticos Jarbas Araújo/Divulgação Pelo menos 649 professores, estudantes e técnicos vinculados à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foram alvo de práticas autoritárias da ditadura militar, entre os anos de 1964 e 1985. A informação faz parte do levantamento da Comissão da Verdade, Memória e Reparação da instituição de ensino. Das pessoas identificadas como alvo na UFPE, 403 sofreram algum tipo de violação. Há registro de casos como prisão, tortura, desligamentos de alunos do curso e expulsão de professores. Além disso, foram confirmadas seis mortes, 156 prisões, 60 pessoas torturadas e 26 sequestradas. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Os dados parciais foram divulgados nesta terça-feira (31), data que marca os 62 anos do golpe militar de 1964. Os golpistas depuseram o então presidente João Goulart e iniciaram o período de 21 anos de ditadura que deixou rastro de perseguição, toturas, mortes e violações aos direitos humanos. A pesquisa, segundo os organizadores, segue em andamento, e deve durar por mais três anos. Foram analisados documentos que mostram vestígios das práticas autoritárias contra a comunidade acadêmica. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A maior parte dos afetados é vinculada às áreas Ciências Sociais Aplicadas, como o curso de direito, e à área de saúde, com o curso de medicina. Dos alvos, a maioria é homem, representando 71% dos registros. Já em relação ao vínculo com a UFPE, os alunos foram mais frequentemente afetados que os professores, figurando em 74% dos casos. O advogado Marcelo Santa Cruz estava no 4º ano da Faculdade de Direito em 1969 quando foi cassado e precisou sair do curso. Seu irmão, o estudante Fernando Santa Cruz, era membro da Ação Popular no Rio de Janeiro e é um dos desaparecidos políticos do regime. Foi capturado em 23 de fevereiro de 1974 e seu corpo nunca foi achado. Mais de cinco décadas depois, Marcelo Santa Cruz integra a Comissão da Verdade da UFPE, e lembra dos momentos de terror vividos no campus. "A violência era tão grande quando a gente foi cassado, que os próprios estudantes da faculdade tinham medo de se aproximar da gente, para também não serem punidos. Então, criou um clima de terror muito grande", disse, em entrevista ao g1. Marcelo Santa Cruz e foto de seu irmão, Fernando Santa Cruz Alepe/Divulgação Somente na turma dele, no curso de direito, quatro alunos foram cassados na mesma época, e tiveram que interromper as aulas, em setembro de 1969. Eles eram proibidos de se aproximar da universiade, devendo ficar, no mínimo, a 300 metros de distância do campus. A punição durou três anos. Nesse período, os alunos foram proibidos de se matricular em qualquer instituição de ensino do Brasil, seja de ensino técnico ou superior. Alguns deles optaram por sair do país e continuar os estudos em Portugal, porém, em oito meses, a universidade estrangeira foi notificada e desvinculou todos os brasileiros perseguidos. "A gente não ia [na faculdade] também porque poderia ser preso e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. [...] Era um clima de medo, de muito terror. Professores também ficavam com muito medo e tinha só um grupo de professores muito pequeno aqui que ficou solidário", contou Marcelo. No caso de Marcelo, ele só conseguiu retomar o curso em 1972, em uma faculadade particular do Rio de Janeiro, se formando dois anos depois. Durante os 21 anos de ditadura militar, 35 alunos da UFPE foram desligados do curso, em sua maioria por três anos. A Comissão da Verdade também indicou a existência de 18 de casos de sanções, como perda de bolsa, impedimento para assumir cargo de chefia, desligamento de residência e não contratação de profissionais. Em relação aos docentes, a Comissão da Verdade levantou que ocorreram 10 demissões, exonerações ou dispensa de função, cinco professores tiveram direitos cassados, além de 13 profissionais aposentados. Também foi registrado que um reitor renunciou ao cargo sob pressão da ditadura. Além das pessoas que sofreram com violações, 247 outras foram listadas em quatro ofícios encaminhados à UFPE que pediam informações sobre elas. Entre os centros de estudos que tiveram alunos, professores, técnicos e colaboradores impactados, os mais afetados foram: Faculdade de Direito: 119 nomes citados Faculdade de Medicina: 99 nomes citados Centro de Filosofia e Ciências Humanas: 47 nomes citados Escola de Engenharia de Pernambuco: 46 nomes citados Centro de Artes e Comunicação: 37 nomes citados Centro de Tecnologia e Geociências: 36 nomes citados Centro de Ciências Sociais e Aplicadas: 27 nomes citados Faculdade de Ciências Econômicas: 26 nomes citados Serviço de Extensão Cultural: 22 nomes citados VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/03/31/62-anos-do-golpe-de-1964-mais-de-600-membros-da-ufpe-foram-perseguidos-pela-ditadura-militar-e-ao-menos-seis-estudantes-foram-mortos.ghtml


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